CompartilheMSN SpacesfavoritoemailA Última Tentação de Cristo


A Última Tentação de Cristo - Poster

Releitura Polêmica

 Talvez o mais polêmico filme do célebre Martin Scorcese A Última Tentação de Cristo nos propõe uma instigante re-concepção da vida de Cristo à luz não das suas virtudes divinas, mas das suas inconfessáveis fraquezas humanas.

por Bruno Cal

 Considerado herético pela Igreja Católica, A Última Tentação de Cristo (The Last Temptation of Christ, EUA, 1988) permaneceu proibido em diversos países por muitos anos (somente agora, por exemplo, é que a obra deixou de ser proibida no Chile, após 15 anos de censura). O filme, baseado no polêmico best-seller homônimo de Nikos Kazantzakis, nos propõe uma releitura dos acontecimentos da vida de Jesus Cristo, enfatizando a sua natureza dividida e o seu conflito interior entre o messias predestinado por Deus ao sacrifício na cruz e o homem comum e prático que ambiciona constituir família e desfrutar de uma vida serena e tranqüila no mais absoluto anonimato.

 Cristo (o ótimo Willem Dafoe, o Duende Verde do primeiro Homem-Aranha) é um marceneiro judeu, responsável pela feitura das cruzes com as quais os romanos crucificam aqueles que se opõem ao seu domínio. Atormentado por pesadelos e visões os quais desconhece o real significado, foge para uma espécie de mosteiro onde, através de uma decisiva e reveladora visão, toma consciência do seu papel como o tão aguardado messias. A partir de então, decide percorrer toda Israel, professando a sua crença em Deus (e em si próprio como o seu emissário direto, em verdadeiros arroubos de orgulho próprio). Acompanhando-o está um grupo de discípulos, dentre os quais Judas (Harvey Keitel, em uma atuação bastante criticada que lhe valeu uma indicação ao “Framboesa de Ouro” de pior ator coadjuvante), grande amigo de Cristo e seu braço direito.

 O filme retrata, de maneira única, alguns dos mais célebres eventos do Novo Testamento, como o batismo de Cristo por João Batista, o seu exílio no deserto e a ressurreição de Lázaro. Em todos, vemos um Jesus inseguro, orgulhoso, incerto quanto aos reais desígnios de Deus; enfim, não divino, mas humano. Mais tarde, já na cruz, à beira da morte, Cristo é tentado uma derradeira e decisiva vez a abdicar de sua responsabilidade para com a humanidade e do sacrifício na cruz como o Escolhido e assumir para si a vida de um homem comum, com esposa, filhos e uma perspectiva de envelhecer e morrer como tal...

 A partir de então o filme adentra o terreno do que o constitui em sua razão de ser (como o romance no qual se inspirou): a própria última tentação de Cristo. Vemos Cristo se casar com Maria Madalena, ter filhos – e uma amante! – e envelhecer como um homem qualquer. O vemos exultante ante sua nova condição: de fato, jamais ambicionara nada mais do que aquilo que passou a ter desde que, seduzido por um belo anjo, fugiu do sacrifício ao qual estivera destinado.

A Última Tentação de Cristo

 Quando, à beira de uma serena morte como um homem comum, descobrindo-se vitima de um ardil de Satanás, Cristo decide, uma vez mais, se por à disposição daquele de quem estivera fugindo durante todo o tempo. Velho e debilitado, o ex-Messias rasteja por entre os escombros de uma Jerusalém sitiada pelos romanos implorando o perdão de Deus.

 E, afinal, o consegue. Mas não somente a isto!... Em questão de meros instantes, Cristo novamente se vê crucificado. Novamente tendo de enfrentar o mesmo sacrifício do qual houvera fugido antes. Mas, desta vez, o vemos, irresoluto, decidido a enfrenta-lo. E tudo já lhe parece, então, tão natural que ele até chega a ostentar um breve sorriso um tanto quanto zombeteiro, num misto de satisfação e comodismo de uma pessoa de quem sempre se esperou absoluta divindade, mas que não consegue escapar da sua mera e tão própria humanidade. A seqüência final do filme é brilhante! Afinal, se fomos mesmo criados a imagem e semelhança de Deus, por que “Ele” se furtaria a refletir o que temos de mais particular e humano: a nossa própria natureza conflituosa, posto que comumente somos postos de encontro a convenções ou marcais culturais que nos restringem? De qualquer modo, tanto quanto ser seduzido por um lindo anjo, sem dúvida nos parece muito mais tentadora a releitura proposta por Scorcese e Kazantzakis do que a concepção tradicionalmente acatada, tão destituída de humanidade quanto um autômato.

 O filme conta com as participações especialíssimas do rockstar David Bowie, como Pôncio Pilatus, e o excelente Harry Dean Stanton (de Paris, Texas de Win Wenders), como o apóstolo Paulo. Destaque para a direção primorosa de Scorcese, indicada ao Oscar da categoria, Willem Dafoe como o conflituoso e atormentado Jesus Cristo e Barbara Hershey como a ardente e apaixonada Maria Madalena (indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante). A espetacular trilha sonora de Peter Gabriel (que conta, inclusive, com a participação de percussionistas brasileiros), indicada a um Globo de Ouro da categoria, é um show à parte e contribui enormemente ao conjunto da obra, em um dos poucos casos, em matéria de cinema contemporâneo, onde música e imagem se complementam de forma única e não parecem descoladas uma da outra.
 

Em Comente!em 2/04/2006
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Front jack comentou o seguinte...

È o seguinte, eu ainda não vi o livro e tambem não vio filme, porém vejo na cabeça dessas pessos que se dizem conhecedores de Cristo a fraquesa em levar tudo que acontece a serio, pois nem tudo que vemos ou ouvimos podemos levar em consideração, Jesus realmente morreu por nós, foi e sempre será puro entre outras caracteristicas, porém o filme pelo o que eu entendi nos mostra como seria se Jesus não aceitasse seu posto de Filho do Homem e se Ele desistisse de se sacrificar para salvar a humanidade. A pessoal que escreveu o livro não queria desfazer de nosso Senhor e nem fazer com que a Biblia fosse blasfemada é como eu disse anteriormente, "mostrar oque supostamente aconteceria se Jesus desistisse do sacrificio" precisamos ser menos criticos em relaçao a algumas coisas e prestar mais atenção no que realmente aquilo quer nos mostrar.

No mais obrigado por essa oportunidade de falar sobre isso.

Ps: Irem assistir ao filme depois volto a comentar.

24 de junho de 2008 às 17:27
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Raquel Viviane comentou o seguinte...

Simplesmente acho esse filme uma total disparidade com a própria história da vida de Cristo. Tenho uma fé incondicional no sacrifício feito por Ele na cruz, não apenas baseada em fatos incontestáveis historicamente, mas principalmente pela expriência verdadeira de tê-Lo em mim, de conhecer o Seu amor e ser hoje livre de todo peso que o mundo nos traz,livre de conflitos interiores porque tenho uma paz completa Nele...Talvez o autor desse filme não estudou corretamente o que aconteceu com Jesus, a história comprova que Ele morreu numa cruz, mostra também que Seu corpo não foi encontrato até hoje, evidência de Sua ressureição...Não creio num Deus morto, vencido, mas creio de todo meu coração num Deus que se fez homem e assumiu o meu lugar naquela cruz por me amar tanto, não apenas a mim, mas a você também!

14 de junho de 2008 às 22:08
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Leonardo comentou o seguinte...

Bem 1ºmeiramente eu axo que o resumo é otimo estou baixando o filme para velo e gostaria que os rligiosos vizesem uma boa faculdade de historia de preferncia um phd aprofundado na historia de cristo e as discordias que isso evolveu nos proximos 500 para depois sim falar algo procurem saber tambem sobre o conselho de niceia.

1 de junho de 2008 às 20:35
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Andre comentou o seguinte...

um bom filme amador pra que gosta de lixo

11 de maio de 2008 às 20:46
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Nilda comentou o seguinte...

Eu achei o filme absurdo, que se choca com os evangelhos. E absolutamente mentiroso. Jesus nao era somente humano, era verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Jesus e o messias, o filho de Deus, e quem aida não crê na verdade que è JESUS precisa se converter urgentimente, pois o reino dos cèus esta perto. sou catòlica e nao recomendo o filme, pois Jesus morreu na cruz por causa dos pecados do mundo inteiro, e rescussitou no terceiro dia ALELUIA.

5 de abril de 2008 às 14:42
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wagner comentou o seguinte...

bastante interessante,esse texto e bem detalhado,nunca ouvi uma explicaçao tao boa sobre esse filme .

3 de março de 2008 às 12:24
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Vaquinho comentou o seguinte...


Já se cumpre o que está escrito em II Timoteo 3. 1 em dinte, nos ultimos tempos sobreviram tempos trabalhosos, homens amante de si mesmo, orgulhosos, profanos, ingratos, inreconciliaveis, incontinentes, desobidientes a pai e a mãe, sem temor de Deus, mais amantes dos prazeres do que de Deus, destes se afaste. Amigo! se converta, só há dois caminhos para o homem ou Céu ou inferno, nos não fomos feitos para o inferno pois ele foi criado para o Diabo e seus anjos, e se você não crê estar muito perto de você saber, pois a Bíblia diz que o homem é como a flôr da eva que ao alvorecer radia o seu vigor, mais ao cair da tarde não existirar mais e se vai como o vento, e ninguem se lebrar dela. Está escrito em Hebreus 9. 27, está ordenado o homem morrer só uma vez, e depois disso segue-se ao juizo. Do seu anigo Wagner, cuidado! muitos enveredaram por este caminho sem volta que Deus tenha misericordia de você.

23 de fevereiro de 2008 às 3:51
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Reginaldo comentou o seguinte...

Esse filme é a coisa mais ridícula que já vi em toda minha vida. Peguei apenas alguns trechos e lí a sinopse. Pra quem conhece a bíblia sabe que Jesus a todo tempo conhecia sua missão e nunca hesitou em realizá-la. A biblia não relata paixão alguma de Cristo e muito menos que tinha amante. Isso é absurdo. Realmente até Aquele que é o maior exemplo para a humanidade começa a ser ironizado para uma vida de pecado e traição. Realmente é de matar isso. Nota Zero.

Jesus, realmente não sabem o que fazem!

22 de novembro de 2007 às 10:51
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albertini de olivira comentou o seguinte...

na minha humilde compreensão , o filme foi muito revelador, tenho o dvd, e sempre que posso assisto novamente, na infinita misericordia de Deus Pai, a missão do mestre jesus é tão gratificante para a humanidade que até os dias de hoje questionamos sua missão de paz e amor, porem temos a afirmação de que nenhum homem foi capaz de Amar tanto A humanidade que tenha morrido por nos de coração e livre Arbitrio, por isso devemos sempre agradecer por esse milagre chamado JESUS DE NAZARE, O CRISTO , louvado seja por todo o sempre Amem

15 de abril de 2007 às 1:51
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Gerson Maciel comentou o seguinte...

O filme nada mais é que um retrato do conflito interno de todo homem, pois o homem é a medida de todas as coisas, então, como entender o que é livre arbitril e o que é a sua missão aqui na terra?

A maior lição que o crito deixa é a de trabalhar com amor, e dar o sue proprio valor.

25 de janeiro de 2007 às 15:24
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GERMANA PATRICY Y CRU comentou o seguinte...

não assisti mas estou pensando em assistilo eu e minha irma

Página do(a) GERMANA PATRICY Y CRU 7 de setembro de 2006 às 3:12
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LUZOLO comentou o seguinte...

Eu ainda não vi o filme mas estou ansiosa para ver.

17 de junho de 2006 às 18:11
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Thaís Hilorrany Da Silva Alves comentou o seguinte...

Eu adorei o filme a utima tentação de cristo é demais parabéns a vocês

Página do(a) Thaís Hilorrany Da Silva Alves 3 de maio de 2006 às 19:20
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Geyva Rosa comentou o seguinte...

Excelente analise, como todas que eu li suas!

21 de abril de 2006 às 20:00
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Bruno comentou o seguinte...

Acho bom mesmo, Thiago. *risos*

Pra quem conhece o trabalho de Scorcese a partir de seus filmes mais recentes, dou a dica de alguns mais antigos que eu considero os melhores. Um deles é o próprio "A Última Tentaçao de Cristo", outros são "Taxi Driver" e "Touro Indomável", ambos com Robert De Niro.

Abraço!

18 de abril de 2006 às 0:39
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Thiago Couto comentou o seguinte...

adoro a filmografia do Martin Scorsese, mas ainda não conferi A última tentação de Cristo =/

acho que tá na hora de criar vergonha na cara e alugar o filme =]

Página do(a) Thiago Couto 8 de abril de 2006 às 4:53
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Daniel Maligno comentou o seguinte...

Excelente análise, tanto técnica quanto estética. Achei que você poderia fazer uma melhor reconstituição do horizonte histório no qual se instala o filme, mas isso não é demérito.
Uma dica despretenciosa: em suas critícas sinto falta de associações. Você deveria linkar filmes relecionados ou com mesma temática, outros trabalhos dos diretores e atores e (com um pouco mais de audácia) indicar livros, revistas, sites... tudo mais que possa facilitar o entendimento do que foi escrito como alimentar o desejo - às vezes doentio - de cinéfilos como você. P.S: Para o homem aranha tenho um pesticida. Hahahahahaha!!!!
Se cuida! Abraço!!!

4 de abril de 2006 às 17:39
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Reuben comentou o seguinte...

Esse Bruno tem futuro. Um cometário perfeito!!!

Página do(a) Reuben 2 de abril de 2006 às 23:31

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