Ann Druyan e Carl Sagan

  Ann Druyan sobre ciência, religião, Carl Sagan...
(A esposa viúva do Carl Sagan sabe das coisas mesmo! =D)

 Graças a toda sabedoria da minha querida mãe cabeçuda, eu fui agraciado em não ser batizado na Igreja ainda quando bebê. Ela acreditava que eu tinha que ter o direito de escolher qual crença seguir quando tivesse idade suficiente para isso. O tempo passou e o cabeçudo aqui teve a oportunidade de observar que todas as religiões não passavam de uma maneira das pessoas buscarem consolo no fato de que um dia irão morrer, baseadas em meras ilusões.

 E não confunda as coisas, talvez por não crer em nada eu tema mais a morte que você, amigo religioso. E é por isso que quando leio textos como esse que o Inagaki compartilhou no GReader, onde Ann Druyan, viúva do famoso cientista Carl Sagan, faz uma verdadeira declaração de amor por seu marido e exauta a importância em aproveitar a vida, eu me sinta mais motivado para seguir em frente e aproveitar o precioso tempo que eu tenho. =)

 Abaixo segue o texto feito por Ann, talvez a mais bela declaração de amor que já tive o prazer de ler justamente por sua ciência em saber a sorte e lugar dela no meio de toda imensidão do Universo, falta de ilusão e simplicidade como eu acredito que o amor seja. Como eu mesmo traduzi porcamente, tentando ao máximo manter pelo menos a essência da mensagem, recomendo que, se você manja de inglês, leia o texto original no link acima e reflita a respeito disso tudo ou simplesmente admire o amor e as belas palavras da escritora:

Quando meu marido faleceu, pelo fato de ser muito famoso e conhecido por não crer, muitas pessoas chegaram até mim -- e isso às vezes ainda acontece hoje em dia -- e me perguntaram se Carl mudou no fim, se ele converteu-se e passou a acreditar na vida após a morte. Eles também me perguntam frequentemente se eu penso que o verei de novo.

Carl encarou sua morte com uma coragem destemida e nunca buscou refúgio em ilusões. A tragédia foi que nós sabíamos que nunca mais nos veríamos de novo. Eu não espero me reencontrar com Carl. Mas, a grande coisa é que quando estávamos junto, por aproximadamente 20 anos, nós vivemos com uma vívida apreciação de quão breve e preciosa a vida é. Nós nunca fomos triviais a respeito do significado da morte, fingindo que seria nada mais do que o final de uma etapa.

Cada momento que nós estávamos vivos e juntos foi milagroso -- não milagroso no sentido de algo sobrenatural e inexplicável. Nós sabíamos que fomos beneficiados com o acaso... Esse puro acaso pôde ser tão generoso e tão bondoso... Pois nós pudemos encontrar um ao outro, como Carl escreveu tão maravilhosamente em Cosmos, você sabe, a imensidão do espaço e tempo... Que nós pudemos ficar juntos por 20 anos. Isso é algo que me sustenta e isso é muito mais cheio de significados... O jeito que ele me tratou e o jeito que eu tratei ele, o jeito que cuidamos um do outro e nossa família, enquanto ele viveu. Isso é muito mais importante do que a ideia de que eu verei ele de novo algum dia. Eu não penso que verei Carl de novo. Mas eu vi ele. Nós vimos um ao outro. Nós nos achamos no cosmos, e isso é algo maravilhoso."

Ann Druyan (Skeptical Inquirer - Volume 27.6 - 2003)

Postado ao som de:
Tenacious D - Papagenu
     Compartilhe esse post em seu Twitter, Facebook, orkut ou onde preferir! =)
Rachel Sheherazade e sua crítica falha a respeito do carnaval O primeiro beijo